Brutalidade e Impunidade
Há alguns dias eu comecei a me lembrar desse caso e resolvi pesquisar na Internet para saber das atualizações. No dia de hoje, há 14 anos, morria Daniella Perez. A maioria das pessoas adultas atuais lembra do crime brutal que matou a atriz iniciante, filha da novelista Glória Perez. Ela foi assassinada com 18 golpes de tesoura por um colega de elenco, o também iniciante ator Guilherme de Pádua e por sua esposa Paula Nogueira Thomaz, grávida na época do crime.
Depois da comoção nacional e da solidariedade com Glória Perez e com o ator Raul Gazzola (que era marido da atriz), o Brasil voltou os olhos para os assassinos e ficou esperando justiça. Como frequentemente acontece no nosso país, as punições são muito desproporcionais ao crime e sempre fica uma nuvem de impunidade pairando no ar.
Guilherme de Pádua e Paula Thomaz foram soltos em 1999, por causa de uma lei que protege os pais de filhos menores de 12 anos (obviamente essa lei nem leva em consideração que tipo de mãe cometeria um homicídio qualificado com o filho ainda no útero) e estão em liberdade condicional desde então. Ele, que cumpriu maior pena, ficou apenas 6 anos e 4 meses na prisão. Em 2007 estará livre da condicional e, se ainda estiver com bom comportamento, será novamente considerado réu primário. Hoje ele é evangélico, cursa Ciência da Computação, casou-se novamente (ironicamente com uma mulher chamada Paula) e nem vê o filho com Paula Thomaz (que foi o motivo da sua liberdade prematura). Ela, que hoje assina como Paula Nogueira Peixoto, entrou na Faculdade, no curso de Administração de Empresas pelo Programa de Acesso Direto (sem prestar vestibular) mas não aguentou as agressões dos colegas e desistiu logo depois, quando decidiu fazer Direito (ironia!) e hoje está no final do curso. Casou-se novamente (com um advogado) e teve outro filho.
Na época do crime e do sensacionalismo da imprensa eu tinha apenas 16 anos e pensava não entender direito o mundo dos adultos crescidos, pois não concebia que circunstâncias levariam a algo tão sórdido e brutal. Hoje tenho 30 anos. Sete anos a mais que Guilherme de Pádua na época do assassinato. Oito anos a mais que a vítima e onze a mais que Paula Thomaz. Por que eu continuo não entendendo?


